Possível greve de caminhoneiros mobiliza estados e preocupa governo federal
Alta no preço do diesel e insatisfação da categoria impulsionam articulações para paralisação nacional do transporte rodoviário.
Lideranças de caminhoneiros em diferentes regiões do país discutem a possibilidade de uma paralisação nacional ainda nesta semana, em protesto contra a alta no preço do óleo diesel. O movimento tem mobilizado representantes da categoria em vários estados e pode ganhar força caso não haja avanço nas negociações com o governo federal.
A decisão sobre o início da paralisação deve ser discutida em reuniões entre representantes do setor de transporte, enquanto o Palácio do Planalto acompanha a situação e busca alternativas para evitar a interrupção das atividades.
O principal motivo da mobilização é o aumento no valor do diesel. Segundo dados divulgados pelo setor, o combustível registrou alta acumulada de cerca de 18,8% desde o final de fevereiro, reflexo da instabilidade no mercado internacional de petróleo em meio a tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Mesmo com medidas de desoneração anunciadas pelo governo federal, o preço médio do diesel nas bombas subiu de aproximadamente R$ 6,10 para R$ 6,58 em apenas uma semana de março. A insatisfação entre os profissionais do transporte aumentou após o anúncio de reajuste de 11,6% nas refinarias pela Petrobras.
O movimento é articulado principalmente pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e conta com discussões envolvendo diferentes segmentos do transporte, como caminhoneiros autônomos, motoristas vinculados a transportadoras e profissionais de aplicativos de frete. O presidente da entidade, Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, afirmou que a orientação inicial é evitar bloqueios de rodovias para não gerar penalidades, recomendando que os motoristas permaneçam parados em postos de combustíveis ou em casa.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) chegou a sinalizar apoio ao movimento, mas informou que aguarda o resultado de novas reuniões com caminhoneiros autônomos antes de definir uma posição oficial.
Entre os estados onde há maior mobilização estão São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul, além de regiões do Centro-Oeste e do Distrito Federal. Em alguns locais, motoristas relatam dificuldades no abastecimento e aumento significativo no custo operacional.
Para tentar conter a crise, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas como a manutenção da isenção de tributos federais sobre o diesel. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que as alíquotas de PIS e Cofins continuam zeradas como forma de reduzir o impacto do cenário internacional.
Outras ações também foram anunciadas. O ministro dos Transportes, Renan Filho, informou que será apresentado um plano para reforçar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete. Além disso, o Ministério da Justiça realizou fiscalizações em centenas de postos de combustíveis para verificar possíveis aumentos abusivos nos preços.
A Polícia Federal também instaurou inquérito para investigar eventuais irregularidades na formação de preços dos combustíveis.
Apesar das medidas, representantes da categoria afirmam que a paralisação pode ocorrer caso não haja uma solução imediata que reduza os custos do transporte rodoviário.



Publicar comentário